domingo, 19 de agosto de 2012

Casa

 E eu sempre olhava para aquela casa "abandonada".
 Sempre a achei incrivelmente interessante e cheia de detalhes que eu adorava ficar deslumbrando, ela parecia tão intrigante.
 Eu resolvi tentar entrar um dia, tentar desvendar aquelas mistérios que ela parecia esconder por detrás daquela madeira envelhecida.
 Eu pulei a cerca e fui até a porta. Bati três vezes. E tudo que ouvi foi uma voz amarga e amedrontada dizendo:
 -Oi.
 Eu perguntei se poderia entrar. A voz disse:
 -Melhor não.
 Pedi novamente, falando a ela sobre meu interesse no que havia ali dentro. Ela respondeu:
 -Não há nada que lhe importe, só vá embora, e não volte.
 Eu insisti, estava muito curioso sobre o que tinha ali, e mais uma vez, supliquei que me deixasse entrar. Ela disse:
 -Já que tanto quer, assim será.
 A porta se abriu, eu entrei. Tudo ficou preto. Depois cinza. Eu vi uma pessoa com a face toda deformada a minha frente, ela brilhava em um tom esbranquiçado assustador. Ela apontou para mim e disse:
 -Esta sou eu, e agora você faz parte de mim, disso, de tudo.
 Olhei para minhas mãos, e elas iam sumindo aos poucos, como se meu corpo estivesse evaporando ou algo do tipo. Fiquei assustado e tentei sair dali, abri a porta e corri para frente em desespero. Mas ali já não havia mais nada, eu simplesmente cai da casa. Continuei caindo até finalmente meu corpo todo sumir, e eu reaparecer na casa.
 Tão sonhada casa, descobri seus mistérios, e agora até sou um deles, estou tão feliz.