E eu sempre olhava para aquela casa "abandonada".
Sempre a achei incrivelmente interessante e cheia de detalhes que eu adorava ficar deslumbrando, ela parecia tão intrigante.
Eu resolvi tentar entrar um dia, tentar desvendar aquelas mistérios que ela parecia esconder por detrás daquela madeira envelhecida.
Eu pulei a cerca e fui até a porta. Bati três vezes. E tudo que ouvi foi uma voz amarga e amedrontada dizendo:
-Oi.
Eu perguntei se poderia entrar. A voz disse:
-Melhor não.
Pedi novamente, falando a ela sobre meu interesse no que havia ali dentro. Ela respondeu:
-Não há nada que lhe importe, só vá embora, e não volte.
Eu insisti, estava muito curioso sobre o que tinha ali, e mais uma vez, supliquei que me deixasse entrar. Ela disse:
-Já que tanto quer, assim será.
A porta se abriu, eu entrei. Tudo ficou preto. Depois cinza. Eu vi uma pessoa com a face toda deformada a minha frente, ela brilhava em um tom esbranquiçado assustador. Ela apontou para mim e disse:
-Esta sou eu, e agora você faz parte de mim, disso, de tudo.
Olhei para minhas mãos, e elas iam sumindo aos poucos, como se meu corpo estivesse evaporando ou algo do tipo. Fiquei assustado e tentei sair dali, abri a porta e corri para frente em desespero. Mas ali já não havia mais nada, eu simplesmente cai da casa. Continuei caindo até finalmente meu corpo todo sumir, e eu reaparecer na casa.
Tão sonhada casa, descobri seus mistérios, e agora até sou um deles, estou tão feliz.
domingo, 19 de agosto de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
Chega
O vazio chega a ser aconchegante
Até a morte resplandece
O silencio é menos atordoante
Onde todas as verdades estarão
Escondidas, todas assim, enterradas
Onde, onde, onde estão
Enterradas, todas assim, escondidas
Mentira
Ou ira?
Vontade agoniante
Não seja apressado
Morra nesse instante
Invada o consciente
Mas não seja apressado
Encontre
Conte-me
Por favor
Só não fuja
Não me iluda
Não desperdice
Temos de monte
Use
Não se apresse
Vontade...
Terá piedade?
Mentira inconsistente
Irei fingir acreditar
Tática deprimente
Infelizmente...
Acho que vou gostar...
Até a morte resplandece
O silencio é menos atordoante
Onde todas as verdades estarão
Escondidas, todas assim, enterradas
Onde, onde, onde estão
Enterradas, todas assim, escondidas
Mentira
Ou ira?
Vontade agoniante
Não seja apressado
Morra nesse instante
Invada o consciente
Mas não seja apressado
Encontre
Conte-me
Por favor
Só não fuja
Não me iluda
Não desperdice
Temos de monte
Use
Não se apresse
Vontade...
Terá piedade?
Mentira inconsistente
Irei fingir acreditar
Tática deprimente
Infelizmente...
Acho que vou gostar...
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Hã?
Mas é assim.
Sempre foi, sempre será
Nunca mudará
Não se alterará
Não há nada que motivará
Vamos ficar sem ser
Fechar os olhos, e ver
Pensar em tudo, e ceder
Um pequeno corte, e morrer
É tão bonito
Esquisito
Talvez infinito
Raramente dito
Há algo para crer
Você vai sobreviver
Você vai renascer
Aguarde o anoitecer
Pare de tudo temer
Nunca pense em se render
Você vai resplandecer
Você tem esse poder
Com o inimigo conviver
Você terá de combater
Aguarde o escurecer
Aguarde até chover
O que mais para escrever
Não sei mais o que dizer
Nunca sei o que fazer
Desisti de tentar ser
Pode me compreender
Ou só quer me aborrecer
O que faz é me bater
E quando tiver de devolver
Tudo para lhe comover
Acho que vou enlouquecer
Já cansei de tanto beber
Não consigo mais esquecer
Chega, já cansei de viver
Pode me acolher?
É com você,
Que quero viver
É com você,
Que quero morrer
É, você. Desculpe.
Sempre foi, sempre será
Nunca mudará
Não se alterará
Não há nada que motivará
Vamos ficar sem ser
Fechar os olhos, e ver
Pensar em tudo, e ceder
Um pequeno corte, e morrer
É tão bonito
Esquisito
Talvez infinito
Raramente dito
Há algo para crer
Você vai sobreviver
Você vai renascer
Aguarde o anoitecer
Pare de tudo temer
Nunca pense em se render
Você vai resplandecer
Você tem esse poder
Com o inimigo conviver
Você terá de combater
Aguarde o escurecer
Aguarde até chover
O que mais para escrever
Não sei mais o que dizer
Nunca sei o que fazer
Desisti de tentar ser
Pode me compreender
Ou só quer me aborrecer
O que faz é me bater
E quando tiver de devolver
Tudo para lhe comover
Acho que vou enlouquecer
Já cansei de tanto beber
Não consigo mais esquecer
Chega, já cansei de viver
Pode me acolher?
É com você,
Que quero viver
É com você,
Que quero morrer
É, você. Desculpe.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Alpacas
As alpacas cospem na cara das pessoas.
E foi-se mais um dia incrível na vida do senhor Grafender, ele caçou vários avestruzes, pena que alguns deles só eram galinhas gigantes disfarçadas. Malditas. Foi só uma perca de tempo que valeu a pena pois o tempo foi poupado para ter tempo no futuro.
Como aqueles cangurus pulam rápido, eu achava que aquele estereótipo de desenho animado era só besteira, mas caramba, eita bichos velozes, malditos ganharam de mim no pega-pega.
Corriam feito bichos frenéticos, mas é mesmo, eles eram bichos frenéticos, só estavam cumprindo o papel deles naquela sociedade. Mas os coalas eram tão fofos, mordendo aquelas folhas de eucalipto.
Estou sentindo pena daquele tamanduá, coitado, como ia saber que ali faziam sua toca formigas radiotivas vindas de Plutão. Se ele tivesse viajado pelo espaço igual eu fiz, saberia que formigas de Plutão podem mudar de tamanho quando estão em Plutão, mas estávamos na Terra então estava tudo bem. Mas coitado dele, contraiu leptospirose.
Uma das coisas mais engraçadas foram as zebras tentando conversar com as faixas de pedestres. Sério, foi hilário varias zebras no meio da rua relinchando para a faixa. Foi meio estranho também, pois a rua estava movimentada, mas ninguém parecia se importar com o fato de zebras gritando no meio da rua.
Eu encontrei algumas moreias voadoras, eles passavam por mim e ficavam olhando com aquela cara de quem contou uma piada e fica esperando pela sua reação, foi horripilantemente hilário. Pena que um japonês louco a pegou todas e fez sushi com elas. Foi triste.
Tinha umas raposas e uns filhotes de guaxinim correndo pelas ruas e roubando as coisas das pessoas, parecia algum tipo de quadrilha do zoológico. Os bebês guaxinins, fofinhos como sempre, distraiam as pessoas, aí a raposa ia lá e pegava a bolsa ou a carteira da pessoa e todos saiam correndo alucinadamente, eram tão adoráveis que ninguém nem tentava parar eles, e a pessoa que era roubada só percebia depois que os animaizinhos iam embora. Era tão lindo ver a cara de "o que aconteceu" da pessoa que era roubada.
Foi difícil passar por aquela tempestade de gafanhotos egípcios, acho que alguém roubou algo de um faraó e ele como vingança rogou as sete pragas naquele lugar, nem fiquei la muito tempo, então nem tendei entender mais.
Bolinhas saltitantes, voavam por todo lado, ricocheteando pelas paredes, quicando no chão e voando na cara das pessoas. Mas eram só ouriços do mar alegres, estavam fora d'água, e fora d'água eles ficam mais flexíveis, mais moles e legais de apertar. Meio estranho também, mas tudo nesse lugar era estranho.
Era meu momento de partir daqui, acabou-se tudo que nem teve um início ao certo. Mas os animaizinhos continuam lá, todos felizes e saltitantes, galinhas gigantes, cangurus, tamanduás doentes, zebras, moreias, a raposa e aqueles guaxinins fofinhos, os ouriços do mar voando na minha cara.
Eu vi todos eles, mas nenhum deles me viu, estou ficando bom em me camuflar.
Até a próxima.
Grafender, P.
E foi-se mais um dia incrível na vida do senhor Grafender, ele caçou vários avestruzes, pena que alguns deles só eram galinhas gigantes disfarçadas. Malditas. Foi só uma perca de tempo que valeu a pena pois o tempo foi poupado para ter tempo no futuro.
Como aqueles cangurus pulam rápido, eu achava que aquele estereótipo de desenho animado era só besteira, mas caramba, eita bichos velozes, malditos ganharam de mim no pega-pega.
Corriam feito bichos frenéticos, mas é mesmo, eles eram bichos frenéticos, só estavam cumprindo o papel deles naquela sociedade. Mas os coalas eram tão fofos, mordendo aquelas folhas de eucalipto.
Estou sentindo pena daquele tamanduá, coitado, como ia saber que ali faziam sua toca formigas radiotivas vindas de Plutão. Se ele tivesse viajado pelo espaço igual eu fiz, saberia que formigas de Plutão podem mudar de tamanho quando estão em Plutão, mas estávamos na Terra então estava tudo bem. Mas coitado dele, contraiu leptospirose.
Uma das coisas mais engraçadas foram as zebras tentando conversar com as faixas de pedestres. Sério, foi hilário varias zebras no meio da rua relinchando para a faixa. Foi meio estranho também, pois a rua estava movimentada, mas ninguém parecia se importar com o fato de zebras gritando no meio da rua.
Eu encontrei algumas moreias voadoras, eles passavam por mim e ficavam olhando com aquela cara de quem contou uma piada e fica esperando pela sua reação, foi horripilantemente hilário. Pena que um japonês louco a pegou todas e fez sushi com elas. Foi triste.
Tinha umas raposas e uns filhotes de guaxinim correndo pelas ruas e roubando as coisas das pessoas, parecia algum tipo de quadrilha do zoológico. Os bebês guaxinins, fofinhos como sempre, distraiam as pessoas, aí a raposa ia lá e pegava a bolsa ou a carteira da pessoa e todos saiam correndo alucinadamente, eram tão adoráveis que ninguém nem tentava parar eles, e a pessoa que era roubada só percebia depois que os animaizinhos iam embora. Era tão lindo ver a cara de "o que aconteceu" da pessoa que era roubada.
Foi difícil passar por aquela tempestade de gafanhotos egípcios, acho que alguém roubou algo de um faraó e ele como vingança rogou as sete pragas naquele lugar, nem fiquei la muito tempo, então nem tendei entender mais.
Bolinhas saltitantes, voavam por todo lado, ricocheteando pelas paredes, quicando no chão e voando na cara das pessoas. Mas eram só ouriços do mar alegres, estavam fora d'água, e fora d'água eles ficam mais flexíveis, mais moles e legais de apertar. Meio estranho também, mas tudo nesse lugar era estranho.
Era meu momento de partir daqui, acabou-se tudo que nem teve um início ao certo. Mas os animaizinhos continuam lá, todos felizes e saltitantes, galinhas gigantes, cangurus, tamanduás doentes, zebras, moreias, a raposa e aqueles guaxinins fofinhos, os ouriços do mar voando na minha cara.
Eu vi todos eles, mas nenhum deles me viu, estou ficando bom em me camuflar.
Até a próxima.
Grafender, P.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Chuva
A chuva caiu. A chuva voltou. Tudo voltou. A chuva o ressuscitou.
Estava só hibernando, mas não queria que o inverno terminasse.
Ele estava la, relutante, mas nunca fugiu, tentou várias vezes, mas nunca conseguiu.
Foi incrível, se o colocava na água aprendia a nadar, se o jogava de um penhasco aprendia a voar, conseguia respirar até no vácuo do espaço, nada nunca lhe sucedeu ao fracasso.
Ele sempre estava lá, mas permanecia inerte. Ele nunca morria, mas persistia em continuar lá, mesmo sem a sua fonte de desejo.
A visão estava fraca, em sua mente parecia não mais habitar. Acho que estava pronto para me deixar. Mas a chuva voltou. A chuva o ressuscitou.
Agora é o fim, teremos que recomeçar a replanejar nosso esquema para a queda do império, voltou mais forte do que antes, mas nada que algum tempo de silencio não resolva. Sempre resolveu tudo.
Vamos sair, beber e comemorar, isso um dia vai lhe fazer lembrar, com o silencio tudo você pode matar.
Mas depois se esconda, a chuva o ressuscitou, quem sabe o que da próxima vez o fará.
Vamos só esperar, cairemos de novo, morreremos de novo.
Vamos só esperar, cairemos de novo, morreremos de novo.
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